DIRETIVA ANTECIPADA DE VONTADE

O direito de escolher até o fim

O direito de escolher até o fim

Uma das maiores conquistas da modernidade foi ampliar a autonomia das pessoas.

Hoje escolhemos nossa profissão, nossos investimentos, nosso tratamento médico e os rumos que desejamos dar à própria vida.

Entretanto, existe uma questão raramente debatida com a profundidade necessária.

O que acontece quando alguém perde temporariamente ou definitivamente a capacidade de manifestar sua própria vontade?

Quem decide?

Os familiares?

Os médicos?

O Estado?

A resposta jurídica mais sofisticada talvez seja outra.

A própria pessoa.

Antecipadamente.

A Diretiva Antecipada de Vontade representa um dos instrumentos mais relevantes — e menos conhecidos — do planejamento pessoal contemporâneo.

Ela permite que escolhas relacionadas à própria dignidade, cuidados médicos e limites terapêuticos sejam registradas enquanto existe plena capacidade para decidir.

Mais do que um documento, trata-se de uma manifestação de autonomia.

Uma afirmação de que determinadas decisões pertencem ao indivíduo e não devem ser transferidas ao acaso das circunstâncias.

Curiosamente, muitas pessoas dedicam anos à organização do patrimônio que deixarão.

Mas poucas dedicam tempo semelhante à proteção da própria vontade.

Talvez porque falar sobre incapacidade seja desconfortável.

Ou talvez porque ainda exista a ilusão de que sempre teremos a oportunidade de decidir amanhã.

A experiência humana, contudo, ensina outra lição.

Nem todas as decisões podem esperar.

Esta gostando do conteúdo? Compartilhe!